A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) se soma aos Programas de Pós-graduação em Comunicação da UFG e da UnB na manifestação pública contra os ataques sofridos pelo jornalista e pesquisador Antônio Guilherme de Lima Santos nas redes sociais.
A pesquisa de mestrado “Discursos jornalísticos sobre a comunidade LGBTI+: uma análise comparada nas afiliadas do portal de notícias G1 da Região Norte”, realizada por Guilherme no PPGCOM-UFG, ganhou repercussão recentemente após a divulgação de entrevista realizada pela Capes sobre os impactos sociais do trabalho. A pesquisa se tornou referência para a Procuradoria da República no Estado do Acre e para o Ministério Público Federal no Acre, “que convocaram jornalistas locais para discutir e reforçar a importância de um tratamento ético nas coberturas jornalísticas sobre a comunidade LGBTI+”, de acordo com post da Capes. Outros canais de comunicação, como o jornal da UFG, também deram visibilidade para o impacto da pesquisa de Guilherme, que atualmente cursa o doutorado no PPGCOM-UnB. A partir dessa exposição, o pesquisador passou a receber ataques nas redes sociais.
A SBPJor repudia veementemente esse tipo de tentativa de cerceamento da liberdade científica, especialmente quando os resultados do trabalho acadêmico apresentam propostas de enfrentamento aos discursos de ódio e ao preconceito contra grupos minorizados. Manifestações dessa natureza revelam a necessidade de reforçar a relevância do compromisso social da ciência, entendida como espaço de defesa dos direitos humanos.
A pesquisa de Guilherme Lima se inscreve na já razoavelmente longa e consistente tradição do campo científico do Jornalismo no Brasil que analisa como a mídia representa a comunidade LGBTQIA+ e que, desse modo, contribui para uma prática jornalística mais ética e comprometida com a garantia de Direitos Humanos — e cujas origens, no país, remontam à dissertação de Jackson da Silva Barbosa, intitulada “Gayleria: um estudo sobre o tratamento que a Folha de São Paulo dispensa ao homoerotismo”, defendida em 1997.