A SBPJor (Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo) se manifesta, neste momento que antecede o segundo turno das eleições presidenciais, em defesa da democracia, dos valores humanistas, da liberdade do exercício do jornalismo e da valorização da educação e da ciência, colocando-se claramente contrária a candidaturas da extrema-direita e do retrocesso que elas representam.
No governo Bolsonaro, a imprensa foi sistematicamente perseguida, com ataques verbais do ex-presidente a repórteres. Apenas em 2022, Bolsonaro foi o principal agressor de jornalistas no país, segundo dados da Fenaj. Havia ainda o estímulo reiterado desse grupo político para que seus seguidores ofendessem e agredissem jornalistas.
Além das violências contra jornalistas e nossa profissão, o orçamento federal destinado à ciência e à pesquisa sofreu cortes vultosos, com as Humanidades sendo a mais prejudicada entre as várias áreas de conhecimento. Por fim, a tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023 colocou em risco nosso sistema democrático e suas instituições. A sombra desse período permanece, porque o projeto ainda é de desmonte, destruição e saque.
A possibilidade da ascensão ao governo de nova figura da extrema-direita, representante do mesmo movimento, ameaça mais uma vez a prática jornalística, a investigação na área, os direitos humanos e, em última instância, a democracia brasileira, da qual o jornalismo livre é um dos pilares. Assim, colocar-se a favor da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda volta do pleito é o único posicionamento possível a uma associação que defende o livre exercício do jornalismo e a pesquisa sobre esse campo. Neste momento, não se trata de uma opção pessoal desta diretoria, mas sim do único modo de defender a garantia dos direitos constitucionais mais basilares do país desde 1988, o que inclui a liberdade de imprensa.
Juntamo-nos assim a outras instituições de jornalismo, da ciência e da educação que defendem publicamente a candidatura de Lula da Silva, declarando-nos politicamente comprometidos não com um grupo partidário, mas sim com o Estado democrático de direito e com todos os agentes sociais que também lutam pela sua preservação. Nossa defesa é da democracia, do direito coletivo de uma sociedade compartilhada e indivisível, do permanente compromisso do jornalismo com as minorias e com os direitos humanos, e do direito ao presente e também ao futuro pleno dos jovens cidadãos e das crianças.
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