Eduardo Ritter, autor do livro “A Tribo de Erico Verissimo”, apresenta os diferentes tipos de jornalistas que aparecem nos romances de Verissimo a partir do conceito de tribo jornalística do teórico português Nelson Traquina. No total, a tribo criada pelo romancista conta com 23 personagens-jornalistas que apresentam as mais variadas características e personalidades.

O Comunica Unisul conversou com Eduardo Ritter, professor adjunto do departamento de ciências da comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Doutor em comunicação pela Universidade Católica do Rio grande do sul, que falou sobre sua obra.

Comunica Unisul – Porque a escolha de lançar o livro no SBPjor e qual a relação entre eles?

Eduardo Ritter – Por ser um evento nacional que reúne pesquisadores em jornalismo de todo o país. Meu livro trata da criação de personagens jornalistas na obra de Erico Verissimo. Ele apresenta, através da ficção, diversos elementos a serem refletidos, não só pelos profissionais da área, mas por toda a sociedade. São 23 personagens em 13 romances, que consegui dividir em dois grandes tipos: os puro sangue – que estão posicionados no polo ideológico da profissão, e os sanguessugas – que usam o jornalismo para tirar vantagens políticas e econômicas. São obras de décadas atrás que permanecem muito atuais.

Comunica Unisul– O que o seu livro pode agregar ao evento e ao Jornalismo em geral?

Eduardo Ritter – A obra pode, ao mesmo tempo, recuperar uma parte importante da história do jornalismo brasileiro – contando a história da participação de um dos maiores escritores nacionais no campo jornalístico – trazendo uma abordagem crítica, lançada por Erico Verissimo através da criação de seus personagens e que permanece muito atual.

Comunica Unisul – Quais são os tipos de jornalistas que Erico Veríssimo cria e qual a relação com o jornalismo de hoje?

Eduardo Ritter – Ele criou 23 personagens jornalistas. Eu os classifico em dois tipos gerais, que são os puro sangue (que estão do lado ideológico da profissão) e os sanguessugas (que buscam tirar vantagens financeiras e políticas da profissão). Essa tipologia e esses personagens representam tipos universais de jornalistas, e atemporais.

Comunica Unisul – Em quais momentos encontramos a linha que separa um jornalista e um escritor?

Eduardo Ritter – Como autor, eu fiz um trabalho que mescla pesquisa, literatura e relatos pessoais, com uma pitada de jornalismo. Essa é uma linha tênue. Não sei se é possível identificá-la de maneira eficiente. É uma linha mutável e invisível.

Comunica Unisul – Em que momentos o jornalista Verissimo se destaca em relação ao escritor?

Eduardo Ritter – O jornalista Verissimo atuou em veículos de comunicação do Rio Grande do Sul (editora e revista do Globo e Correio do Povo e Rádio Farroupilha, entre outros) na década de 1930. A partir de 1940 ele passa a se dedicar exclusivamente à literatura, mas nunca se desligando completamente do jornalismo.

Comunica Unisul – Quais pontos comuns você enxerga entre a literatura de Verissimo e o jornalismo da época?

Eduardo Ritter – A literatura de Verissimo é super atual. Na verdade, ele era muito mais crítico e realista do que os autores e jornalistas da época. Nenhum escritor contemporâneo consegue escrever, tanto em qualidade quanto em quantidade, o que ele escreveu. Ele era muito mais ousado. Depois dele, houveram alguns poucos outros, como Caio Fernando Abreu, Fausto Wolf, e, óbvio, os clássicos. Mas hoje os jornalistas contemporâneos só tem que aprender com ele.

Texto: Comunica Unisul

Foto: Danilo Garcia