A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) lamenta imensamente a morte do jornalista e ex-professor da UFRJ e da UERJ Zuenir Ventura, aos 95 anos, na manhã desta terça-feira, 22 de setembro.
Zuenir deixa um legado em forma de produções literárias e jornalísticas, como o clássico livro “1968, o ano que não acabou” e a condecorada série de reportagens “O Acre de Chico Mendes” (1989), que lhe rendeu os prêmios Esso de Jornalismo e Vladimir Herzog.
Ele era o sétimo ocupante da cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL), nomeado em março de 2015, após a morte de outro grande nome da literatura brasileira Ariano Suassuna. Em seu discurso de posse, Zuenir anotou seu orgulho por suceder aquele que tinha “vocação de professor e alma de palhaço”. É possível revisitar, no seu perfil no site da ABL, essa fala, que marca sua generosidade e respeito ao rememorar aqueles que o antecederam. “Graças a um sábio princípio desta Casa, que desde o insubstituível Machado de Assis seguiu o costume de adotar como critério não a substituição, mas a sucessão, posso anunciar com orgulho, mas sem insolência que vou suceder – jamais substituir – o insuperável Ariano Suassuna na cadeira 32, cujo patrono é Manuel Araújo Porto Alegre, Barão de Santo Ângelo, e cujo fundador é o conde Carlos de Laet, a que se seguiram o Barão de Ramiz Galvão, Viriato Correia, Joracy Camargo e Genolino Amado. Todos, como observou Suassuna, ‘foram professores ou escreveram para teatro’, a exemplo dele mesmo.”
Elio Gaspari disse certa vez que Zuenir “nunca esteve do lado errado”, postura essa que pode ser farol em dias conturbados como estes.
Zuenir era mineiro de Além Paraíba. Ele nasceu em 1˚ de junho de 1931, e mudou-se com a família para Nova Friburgo aos 11 anos. Em 1956, começou a trabalhar na redação da Tribuna da Imprensa, onde já atuava no arquivo. Teve passagens pelas redações de Correio da Manhã, O Cruzeiro, Fatos e Fotos, Visão e Jornal do Brasil, entre outros. O escritor deixa a mulher, Mary Ventura, e dois filhos, Elisa Ventura e Mauro Ventura.
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