Autora do livro “Jornalismo em trânsito, o diálogo social solidário no espaço urbano”, Mara Rovida se ocupa de um espaço marcado pelo conflito e pela disputa. A pesquisa acompanha, em São Paulo, os repórteres de uma emissora de rádio especializada na cobertura de trânsito e um grupo profissional específico, o caminhoneiro. A mediação jornalística é colocada no centro do debate por potencializar o diálogo social solidário.

O Comunica Unisul conversou com Mara Ferreira Rovida, Doutora em Ciências da Comunicação pela USP, que falou um pouco sobre solidariedade orgânica.

COMUNICA UNISUL – O que é a solidariedade orgânica?

Mara Rovida – Trata-se de um conceito sociológico apresentado por Émile Durkheim. Grosso modo, podemos considerar que é o sentimento de pertencimento, os vínculos existentes entre os membros de um grupo social. Durkheim chamava a atenção para o fato de que essa forma de solidariedade se desenvolve junto com a expansão da sociedade capitalista e está diretamente relacionada ao processo de intensificação da divisão do trabalho.

 COMUNICA UNISUL – Quais fatores influenciaram os caminhoneiros como sendo antagonistas corriqueiros nas narrativas de cobertura do trânsito?

 Mara Rovida – Isso é uma questão cultural. O caminhoneiro está vinculado ao cenário de rodovias e estradas e quando observado no espaço de ruas e avenidas da cidade é tido como um outsider, alguém que está fora do contexto. Além disso, o estereótipo do grupo profissional acaba dando margem a interpretações e perspectivas que os colocam como causadores de problemas. Em grande medida, isso se desenvolve por conta da falta de conhecimento e de distanciamento que o público em geral tem do universo dessa profissão. A ignorância (no sentido de ignorar) é uma péssima conselheira.

 COMUNICA UNISUL – Por que a escolha de lançar o livro nesse evento e qual a relação do evento?

Mara Rovida – Meu livro já teve um lançamento oficial, realizado pela editora em São Paulo. Nessa segunda oportunidade de lançamento, pensei na oportunidade de estar num espaço compartilhado com importantes pesquisadores da área. É uma chance de divulgar a obra para os pares. A relação é bastante direta, o livro traz o resultado de uma pesquisa de 4 anos cujo foco é o trabalho de um grupo de repórteres que cobre o trânsito de São Paulo a partir de ruas e avenidas da cidade.

COMUNICA UNISUL –  Quais as responsabilidades de um jornalista em assuntos com opiniões de senso comum, como o padrão de transito de São Paulo? Como fazer isso?

 Mara Rovida – Diria que o jornalista tem um papel central como mediador nas interações entre indivíduos marcados pela diversidade que caracteriza a contemporaneidade. No trânsito isso fica ainda mais exacerbado porque as disputas por espaço podem ter resultados bastante drásticos. Isso torna a fala do jornalista, que tem visibilidade e destaque, crucial para amenizar ou acirrar ainda mais as disputas nesse cenário.

Texto: Comunica Unisul

Foto: Danilo Garcia